LESÔES POR RAIO (Relâmpagos)

Mesmo presente no imáginario do alpinista ("Premier de Cordée...") e apesar de ser uma região muito frequentada, ricas em agulhas de granito, as lesões por acidentes com relâmpagos raramente ocorrem, visto que o número de vítimas nem sempre ultrapassa dois casos por ano no maciço do Mont-Blanc.

PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS

Torna-se necessário diferenciar as consequências diretas (ser atingido por um raio) das consequências indiretas neste ambiente de risco que é a alta montanha. Podemos ver ainda lesões traumaáticas devido a queda após o acidente.

CONSEQUÊNCIAS DIRETAS:
CONSEQUÊNCIAS INDIRETAS:

Antes de ser atingido: o pânico num ambiente repleto de raios é uma regra. O simples fato de querer fugir da área exposta a todo custo, expõe o alpinista a manobras perigosas e acidentes potenciais.

Durante e após o acidente: se o alpnista não estiver adequadamente preso a segurança, ele pode ser lançado no vazio.

E necessário, portanto, procurar por lesões traumáticas. Damos atenção a lesões cranianas, raquidianas e lesões pelo cinto. Toda vitima de acidente com raios é suspeita de politraumatismo.

Finalmente, se o resgate não é imediato (tempestades costumam atrasar a busca), a hipotermia pode se instalar rapidamente neste indivíduo.

CONDUTAS NO LOCAL

Assegurar e garantir funções vitais, na ordem de importância e devido as condições no ambiente exposto, fica um pouco próximoLa victime est vivante de: intubar , perfundir, sedar e imobilisar. Ter atenção caso haja hipotermia ou traumatismo associados. A prevenção de insuficiência renal passa por uma reposição precoce de cristalóides. O monitoramento cardíaco é fundamental. Muitas vezes isso fica somente na teoria, pois em condições de grandes tempestades e vôos de alto risco, o mímimo que se faz é a remoção do paciente rapidamente.

NO HOSPITAL

Paciente ileso ou levemente ferido: Um agravamento do quadro é sempre possível após um intervalo livre de várias horas. Todo paciente deve realizar um ECG nas primeiras 24h. Em todo paciente atingido na cabeça deve ser realizado acompanhamento oftalmológico regular (fundoscopia), para avaliação precoce de complicações.

Paciente apresentando sinais de gravidade: A rotina completa deve ser seguida como mostra o quadro abaixo. A reanimação deve ser feita o mais precoce possível com prevenção da mioglobinúria por reposição de cristalóides, com objetivo de manter o débito urinário de 1,5ml/Kg/ h. No plano cardíaco, o objetivo é o de evitar problemas graves de condução e de excitabilidade e sinais de isquemia. A utilização de anticoagulantes na prevenção de tromboses é controvesa, considerado o risco de hemorragia. Muitas vezes torna-se necessária a realização de técnicas cirúrgicas tais como fasciotomia descompressiva, desbridamento de tecidos necrosados...

ECG de repetição, CPK-MB, ecocardiograma.
Função Renal, mioglobinúria, CPK.
Raio X de crânio e coluna (outros quando necessario), eletromiografia.
Abdomen sem preparo (perfuração de orgãos).
Exame oftalmológico, timpânico e neurológico completo.

CONCLUSÃO

O relâmpago atinge raramente os alpinistas o que é bom pois a mortalidade nestes casos é de 50%. Se a vítima sobrevive, o prognóstico resta bom , desde que ela seja resgatada rapidamente, aliás as lesões devido a corrente diminuem as resistências do organismo que se encontra particularmente exposto ao frio, a altitude e a riscos diretos.

Todo paciente atingido por raio é suspeito de atentados multiplos e deve ser internado em unidade de vigilância continua pelos menos por 24h.

O quadro clínico pode ser muito rico, mas a terapia sintomática e preventiva (pricipalmente renal) de diversos tipos de acidentes com raio, tem mostrado excelentes resultados. As sequelas são essencialmente neurólogicas e tróficas , sendo muitas vezes invalidantes.

(c) DMTM CHAMONIX 1998

Merci à Vanessa, de Rio, pour la traduction.

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